Queu vo pra seu enterro, mizéra

(…)

Teotônio é que vivia na rua. Um dia, na Praia Vermelha, meteu-se numa aventura escandalosa. Andava às voltas com uma rapariga geniosa que, quando ele menos esperava, lhe desfechou uma porção de tiros, tomada de ciúmes. Os tiros falharam, porque a moça tinha má pontaria. Mas houve grande escândalo e um jornal qualquer publicou uma reportagem sensacional sobre o incidente. Teotônio procurou impedir que a notícia chegasse à sua casa, mas Dona Guiomar, naturalmente, acabou sabendo de tudo. Já estava ficando velha e tolerava todas as infidelidades e todos os abusos do marido. Daquela vez, porém, sentiu-se atingida pelo escândalo e desmoralizada pela infâmia de Teotônio:
— Você acha que devo me suicidar, Juju?
Formulou essa pergunta à filha mais velha no mesmo tom em que interrogaria a respeito do vestido com que tivesse de ir à missa.
— Ora essa, mamãe! Eu posso lá saber? A senhora é que sabe.

(…)

Velórios [1936], do Rodrigo M. F. de Andrade, a cada conto que termina só me lembra o melhor video do mundo:

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Vai morrê palá você, disgrassa

365 poemas a 1 real

A Fundação Badtrip de Amparo ao Psicodélico colocou no ar ontem o blog 365 POEMAS A 1 REAL.

O idealizador do projeto, Fred Leal, declarou nesta madrugada:

Descolamos R$ 365,00 pra fazer esse blog. E nem foi via Lei Rouanet, descolei a grana com a minha avó, que concordou em se tornar um mecenas da poesia para o século XXI. Assim, dividi entre a galera da FUBAP e vamos todos gastar essa grana parcimoniosamente ao longo do ano, no intuito de divulgar a nova produção poética nacional.

Sem dúvida, Fred Leal confirma mais uma vez que é um homem de visão.

Assim como Olga Leal, sua avó, que faz o melhor sorvete caseiro da região metropolitana do Rio de Janeiro, o internacionalmente conhecido: OLGA BON.

Enquanto esta bela ideia nascia, eu babava em meu leito vitoriano, acordo hoje e para minha honra, a estreia do projeto é com um poema meu, do Balés, o Dirígivel do Amor, interpretado pelo próprio Fred:

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O segundo da série é de Alice Sant’Anna, mandem seus videos, pelo futuro da poesia independente.

Descubraqui como particupar.

ANOTA ESSE NOME

Já faz alguns meses tenho pensado muito sobre o papel 40kg.

Aquele parente esquecido da cartolina, o primo arquiteto do papel almaço.

Mas, quem é que nunca esteve ao lado de um, com cara sabida, alertando a turma inteira sobre os perigos da AIDS?

Pouca gente se lembra dele, menos gente ainda se lembra do seu nome, quase ninguém é capaz de associar o nome ao objeto e apenas 1% da população sabe o porquê do nome PAPEL 40 QUILOS. Para tal o amigo internauta por favor acesse.

Inconformada com este descaso, esta falta de memória ou esta simples falta de referência imperdoável, num dia como hoje de engarrafamento como todos na cidade de çampaulo, resolvi lançar um sms para alguns amigos com os seguintes DIZERES:

“é preciso sempre lembrar: do papel 40kg, saudades”

Muita gente se comoveu antes das 10 da manhã. Seguem algumas respostas:

Keli: ja comprei seu presente. vai comprar o meu.

Leca: Papel? 40kg? Bjsssssssssssss

Fernanda: Desculpa… meu celular tá meio ruim, quem é?

Luiza: eh sempre preciso lembrar de: geladeira.

Leandro: tu ta fazendo piada com o meu peso?

Daniel: WEB: grande papel 40kg. Na primeira compra achava que não conseguiria carregar. Tudo é ilusão, especialmente o peso de algumas coisas.

João: O que é papel 40kg, por deus?

Carulina: Saudade também, pequení. Sem lobby. Beijo.

Luana: papel 40kg assa a bunda. Saudade e saúde.

Domingos: 400kg de saudade. Beijão patroa!

Alice: Papel 40kg? Me refresca a memória? Saudade também, amei nosso jantar

Letícia: aaaaaaah <3. engraçado que acordei com a sua mensagem.

Mariano: Porra essa de papel mulé? Higiênico?

A única moral que podemos tirar desta fábula é: diga a seus amigos, numa manhã comercial, que você está com saudades de algum item afetivo da sua infância e eles vão entender automaticamente que você tá com saudade deles. O dia de todos os envolvidos foi diferente, inclusive o seu, que ainda não sabe o que é um papel 40kg.

Morte do autor

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Ah, mas eu acho ótimo fasilficar tudo e ninguém mais saber o que é verdadeiro, o que é falso. E aquilo que você compraria por 10 mil dólares você compra por 50 reais naquele africano que tá com aqueles cobertores no chão em todos os lugares do mundo vendendo. E você compra e ninguém sabe de mais nada. Eu acho ótimo pra acabar com essa história desse absurdo de bolsas de 10 mil, 15 mil dólares porque é da grife tal. Eu adoro. Eu só uso bolsa falsa.

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Mas eu espero que essa fase do mundo passe. E que eu esteja viva pra ver outro mundo que não seja esse que a gente tá vivendo agora com essas coisas grifadas que todo mundo compra porque é Philippe Starck e etc etc etc, que eu não vou citar todos porque não precisa.

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