(…)
Teotônio é que vivia na rua. Um dia, na Praia Vermelha, meteu-se numa aventura escandalosa. Andava às voltas com uma rapariga geniosa que, quando ele menos esperava, lhe desfechou uma porção de tiros, tomada de ciúmes. Os tiros falharam, porque a moça tinha má pontaria. Mas houve grande escândalo e um jornal qualquer publicou uma reportagem sensacional sobre o incidente. Teotônio procurou impedir que a notícia chegasse à sua casa, mas Dona Guiomar, naturalmente, acabou sabendo de tudo. Já estava ficando velha e tolerava todas as infidelidades e todos os abusos do marido. Daquela vez, porém, sentiu-se atingida pelo escândalo e desmoralizada pela infâmia de Teotônio:
— Você acha que devo me suicidar, Juju?
Formulou essa pergunta à filha mais velha no mesmo tom em que interrogaria a respeito do vestido com que tivesse de ir à missa.
— Ora essa, mamãe! Eu posso lá saber? A senhora é que sabe.
(…)
Velórios [1936], do Rodrigo M. F. de Andrade, a cada conto que termina só me lembra o melhor video do mundo:
Vai morrê palá você, disgrassa
