a árvore é um poema
não esta ali
para que valha a pena
está lá
ao vento porque trema
ao sol porque crema
à lua porque diadema
está apenas
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Leminski in Caprichos & Relaxos (saques, piques, toques e baques), 1983
a árvore é um poema
não esta ali
para que valha a pena
está lá
ao vento porque trema
ao sol porque crema
à lua porque diadema
está apenas
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Leminski in Caprichos & Relaxos (saques, piques, toques e baques), 1983
São Sebastião
Derramou amor
Na água que te deram pra tomar
Bebe, bebe
A água que te deram pra tomar.
Alessandra Leão, esse hino tá no Folia de Santo.
Todas aquelas virtudes que a maturidade existencial confere ao homem são de curta duração, melancolicamente curta duração: o amor, a tolerância, a desambição, o perdão, a curiosidade pela natureza, a ternura universal, a recriação permanente do passado. Tudo isso que não tem importância quando a gente vive começa a ter importância quando a gente se prepara para morrer.
Afonso Arinos in Encontro Marcado com cinema de Fernando Sabino e David Neves (2006)
Como suportaríamos a massa e a profundidade gasta das obras e das obras-primas, se espíritos impertinentes e deliciosos não houvessem acrescentado à sua trama as franjas de um desprezo sutil e de ironias espontâneas? E como poderíamos suportar os códigos, os costumes, os parágrafos do coração que a inércia e a conveniência superpuseram aos vícios inteligentes e fúteis, se não existissem esses seres espirituosos cujo refinamento os coloca ao mesmo tempo nos cumes e ã margem da sociedade?
Devemos ser agrdecidos ãs civilizações que não abusaram da seriedade, que brincaram com os valores e deleitaram-se sem engendrá-los e destrui-los. Conhece-se fora das civilizações grega e francesa uma demonstração mais lucidamente festiva do elegante nada das coisas? O século de Alcebíades e o século XVIII francês são duas fontes de consolo. Enquanto que é apenas em seu último estágio, na dissolução de todo um sistema de crenças e costumes, que as outras civilizações puderam saboreae o exercício alegre que empresta um sabor de inutilidade ã vida – é em plena maturidade, em plena posse de duas forças e de seu futuro que estes dois séculos conheceram o tédio indiferente a tudo e permeável a tudo. Existe melhor símbolo disto do que Madame du Deffand, velha, cega e clarividente, ao mesmo tempo exercendo a vida, e desfrutando, no entando os prazeres da amargura?
Ninguém alcança logo de saída a frivolidade. É um privilégio e uma arte; é a busca do superficial por aqueles que, tendo descoberto a impossibilidade de toda certeza, adquiriram nojo dela, é a fuga par along desses abismos naturalmnete sem fundo que não podem levar a parte alguma.
Permanecem, entretanto, as aparências: por que nÃo alcançá-las ao nível de um estilo? Isto é o que permite definir toda época inteligente. Chega-se a encontrar mais prestígio na expressão do qu na alma que a sustenta, na graça do que na intuição; a própria emoção torna-se polida. O ser entregue a si mesmo, sem nenhum preconceito de elegância, é um monstro; só encontra em si zonas obscuras, onde rondam, iminentes, o terror e a negação. Saber, com toda sua vitalidade, que se morre e não poder ocultá-lo, é um ato de barbárie. Toda filosofia sincera renega os títulos da civilização, cuja função consiste em velar nossos segredos e disfarçá-los com efeitos rebuscados. Assim, a frivolidade é o antídoto mais eficaz contra o mal de ser o que se é: graças a ela, iludimos o mundo e dissimulamos a inconveniência de nossas profundidades. Sem seus artifícios, como não envergonhar-se por ter uma alma? Nossas solidões ã flor da pele, que inferno para os outros! Mas é sempre para eles, e ãs vezes para nós mesmos, que inventamos nossas aparências.
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Civilização e frivolidade in Breviário da Decomposição, de Ciorella nossa musa
Grande filósofo dos nossos tempos.
Gostaria de reviver a moda lançada por Roberta Miranda nos anos 90: pintar somenth o mindinho de vermelho. Close na mão esquerda:
Me pergunto por que tão nobre estilo se perdeu. Ou ainda: terá sido superstição? Promessa?
Pelo que me lembro, da estante de disco da minha avó, este não é o único disco no qual Roberta estampou este gracejo.
Jorge, conto com sua influência e kharisma.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::Atualizando com uma valiosa informação de Samcaçambao: “é a unha que o josé rico, da dupla milionário & josé rico, usa até hoje. Daí a saber quem influenciou quem (rs…)”.
Gent isto é muito chocante vamos averiguar.
(…)
Teotônio é que vivia na rua. Um dia, na Praia Vermelha, meteu-se numa aventura escandalosa. Andava às voltas com uma rapariga geniosa que, quando ele menos esperava, lhe desfechou uma porção de tiros, tomada de ciúmes. Os tiros falharam, porque a moça tinha má pontaria. Mas houve grande escândalo e um jornal qualquer publicou uma reportagem sensacional sobre o incidente. Teotônio procurou impedir que a notícia chegasse à sua casa, mas Dona Guiomar, naturalmente, acabou sabendo de tudo. Já estava ficando velha e tolerava todas as infidelidades e todos os abusos do marido. Daquela vez, porém, sentiu-se atingida pelo escândalo e desmoralizada pela infâmia de Teotônio:
— Você acha que devo me suicidar, Juju?
Formulou essa pergunta à filha mais velha no mesmo tom em que interrogaria a respeito do vestido com que tivesse de ir à missa.
— Ora essa, mamãe! Eu posso lá saber? A senhora é que sabe.
(…)
Velórios [1936], do Rodrigo M. F. de Andrade, a cada conto que termina só me lembra o melhor video do mundo:
Vai morrê palá você, disgrassa
Amelinha: por onde anda?
É o que me pergunto há algum tempo.
Grande poeta e intérprete de Fagner, Ednardo, Belchior, Walter Franco e Zé Ramalho.
Já que não tenho notícias, resolvi matar a saudade reunindo nove belas canssões de seu espólio.
Um espante este fruto do Ceará.
ROUPA COM CHEIRO DE MALA
Artista: Pequena Amelia
1. Ponta de espinho
2. Galope rasante
3. Dez mil dias
4. Frevo mulher
5. Flor da paisagem
6. Foi Deus que fez você
7. Santo e demônio
8. Dia branco
9. Divindade
ABAIXE se tiver corassão.
minha alegria
minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobe para a superfície
através dos tubos alquímicos
e não da causalidade natural.
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como rescaldo final de um incêndio.
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A poesia não tem lugar nobre pra acontecer. Não é só o mármore como os parnasianos, os cultores do monte parnaso pensavam. A poesia não tem só locais, ou materiais nobres, ela usa os mais diferentes materiais, não há vulgaridade pra ela, você pode restaurar, é um trabalho intenso, é um trabalho construtivista, não o construtivismo de 100 anos atrás, é um construtivismo dos nossos tempos, de quem está com olhos novos para o novo, com ouvidos abertos, e também com capacidade de ler diferentes tradições, não ficar ensimesmado, isolado.
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Não suba o sapateiro além da sandália
- legisla a máxima latina.
Então que o sapateiro desça até a sola
Quando a sola se torna uma tela
Onde se exibe e se cola
A vida do asfalto embaixo
e em volta.
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Waly Salomão de vários jeitos no Pan-cinema Permanente