Deve ser estonteante ser uma porta de correr de um local movimentado.
Mal foi tem que voltar, torcicolos, dores musculares a granel na região do trapézio.
E ficar num gimme five ininterrupto com outra porta com a qual, provavelmente, não se tem a menor intimidade.
Até então só consegui perceber três tipos de existência na inanimação:
1. a paradona, também conhecida como caseira, que são os objetos que não precisam interagir, mas podem, se assim quiserem.
Exemplo: uma peteca, um canudo, um banco
2. a badalada, que são os objetos automáticos. Assim que alguém aperta um botão, liga a caixa de força ou coloca pilha, o objeto é obrigado a trabalhar. A não ser que falte de luz, acabe a pilha ou estoure a fiação, e essa talvez seja a grande vingança e alívio momentâneo deles todos.
Exemplo: as portas automáticas, as escovas de dente massageadoras, as bonecas tontas que batem palmas
3. a equilibrada, o objeto não é nem totalmente desautomático nem totalmente automático, ele tem algum tipo de efeito especial ou truquezinho que permite ser um pouco de cada coisa.
Exemplo: a cadeira de balanço.



